terça-feira, 19 de agosto de 2014

Adoro te Devote - Santo Tomás de Aquino


Eu vos adoro devotamente, ó Divindade escondida,
Que verdadeiramente oculta-se sob estas aparências,
A Vós, meu coração submete-se todo por inteiro,
Porque, vos contemplando, tudo desfalece.

A vista, o tato, o gosto falham com relação a Vós
Mas, somente em vos ouvir em tudo creio.
Creio em tudo aquilo que disse o Filho de Deus,
Nada mais verdadeiro que esta Palavra de Verdade.

Na cruz, estava oculta somente a vossa Divindade,
Mas aqui, oculta-se também a vossa Humanidade.
Eu, contudo, crendo e professando ambas,
Peço aquilo que pediu o ladrão arrependido.

Não vejo, como Tomé, as vossas chagas
Entretanto, vos confesso meu Senhor e meu Deus
Faça que eu sempre creia mais em Vós,
Em vós esperar e vos amar.

Ó memorial da morte do Senhor,
Pão vivo que dá vida aos homens,
Faça que minha alma viva de Vós,
E que à ela seja sempre doce este saber.

Senhor Jesus, bondoso pelicano,
Lava-me, eu que sou imundo, em teu sangue
Pois que uma única gota faz salvar
Todo o mundo e apagar todo pecado.

Ó Jesus, que velado agora vejo
Peço que se realize aquilo que tanto desejo
Que eu veja claramente vossa face revelada
Que eu seja feliz contemplando a vossa glória. Amem



Adóro te devóte, latens Déitas,
Quae sub his figúris vere látitas:
Tibi se cor meum totum súbiicit,
Quia te contémplans totum déficit.
Visus, tactus, gustus in te fállitur,
Sed audítu solo tuto créditur.
Credo, quidquid dixit Dei Fílus:
Nil hoc verbo Veritátis vérius.
In cruce latébat sola Déitas,
At hic latet simul et humánitas;
Ambo tamen credens atque cónfitens,
Peto quod petívit latro paénitens.
Plagas, sicut Thomas, non intúeor;
Deum tamen meum te confíteor.
Fac me tibi semper magis crédere,
In te spem habére, te dilígere.
O memoriále mortis Dómini!
Panis vivus, vitam praestans hómini!
Praesta meae menti de te vívere.
Et te illi semper dulce sápere.
Pie pelicane, Iesu Dómine,
Me immúndum munda tuo sánguine.
Cuius una stilla salvum fácere
Totum mundum quit ab omni scélere.
Iesu, quem velátum nunc aspício,
Oro fiat illud quod tam sítio;
Ut te reveláta cernens fácie,
Visu sim beátus tuae glóriae. Amen.




sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Assunção da Virgem Maria


A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Beato José Luiz Sanchez Del Río


José Luiz Sanchez Del Río nasceu a 28 de março de 1913, na cidade Sahuayo, província de Michoacan, México. Vivia uma vida comum, como qualquer outro menino do interior do México, até que esta normalidade foi quebrada pela ascensão de Plutarco Elias Calles à chefia do poder daquela nação.
Este presidente tirânico, declaradamente socialista e maçom, empreendeu em todo o país uma das maiores perseguições que a Igreja Católica sofreu no século XX. Com o pretexto de “livrar a nação do fanatismo religioso” (qualquer semelhança não é mera coincidência), Plutarco Calles iniciou uma investida militar contra padres, religiosos e fiéis leigos que demonstrassem qualquer sinal da fé católica. Confiscou todas as Igrejas, prendeu e matou padres, bispos, frades, freiras dentre muitos outros. Após tanta perseguição, um grupo de fiéis católicos viu-se obrigado a pegar em armas para garantir sua sobrevivência. Este conflito ficou conhecido como Cristiada ou Guerra Cristeira, em homenagem aos soldados cristãos que eram conhecidos como Cristeros.
Um dia, ao visitar o túmulo do beato mártir Anacleto González Flores, que havia morrido durante a perseguição de maneira brutal e impiedosa, José Luiz Sanchez Del Río rezou a Deus, pedindo para que ele também pudesse morrer pela manutenção de sua Fé. Então, aos 13 anos de idade, foi procurar o general Prudencio Mendoza, que tinha sua base na vila de Cotija, para que pudesse ingressar no exército cristero. Ao chegar, dirigiu-se ao general que o indagou:
—O que viste fazer aqui meu rapaz? Ele respondeu:
—Vim aqui para morrer por Cristo Rei.
A sinceridade daquelas palavras e o vívido olhar destemido daquele nobre rapaz ressoaram profundamente no coração do general cristero, que autorizou sua entrada na milícia. Ao longo de um ano, José Luiz Sanchez Del Río combateu em muitos confrontos ferozes contra o exército regular do governo comunista e maçom.
Em fevereiro de 1928, cerca de 1 ano após o seu ingresso no exército cristero, o menino e seus confrades foram surpreendidos numa emboscada. José Luiz cedeu seu cavalo ao líder da resistência, sendo capturado pelos sádicos soldados do governo de Plutarco. Na intenção de fazer com que o menino renunciasse sua fé, descamaram a planta de seus pés até as nervura e o amarraram em um cavalo, obrigando-o a andar por cerca de quatorze quilômetros a pé e descalço. Não precisamos aqui dizer o nível de dor que esta pobre criança sentiu, mesmo assim, nos momentos em que as dores lhes eram insuportáveis, o menino cheio da Graça Divina Bradava em voz alta e vigorosa “Viva Cristo Rey e la Virgem de Guadalupe!”

Sem sucesso na tentativa de que José Luiz abjurasse de sua fé por meio da dor mais causticante e alucinante possível, os soldados tentaram com intimidá-lo de outra maneira. Ao chegar na vila em que nascera, para ser executado no dia seguinte, os soldados fizeram com que a mãe do menino escrevesse-lhe uma carta pedindo para que ele abjurasse da fé católica, para poder ser solto. José Luiz Sanchez Del Río respondeu assim ao bilhete de sua mãe:

“Minha querida mãe: Fui feito prisioneiro em combate neste dia. Creio que nos momentos atuais vou morrer, mas não importa, nada importa, mãe. Resigna-te à vontade de Deus; eu morro muito feliz porque no fim de tudo isto, morro ao lado de Nosso Senhor. Não te aflijas pela minha morte, que é o que me mortifica. Antes, diz aos meus outros irmãos que sigam o exemplo do mais pequeno, e tu faz a vontade do nosso Deus. Tem coragem e manda-me a tua bênção juntamente com a de meu pai. Saúda a todos pela última vez e tu recebe por último o coração do teu filho que tanto te quer e tanto desejava ver-te antes de morrer”
No dia seguinte, 10 de fevereiro de 1928, uma sexta-feira, o menino que estava prestes a completar 15 anos ofereceu sua vida terrena para não perder a vida eterna ao lado de Jesus Cristo, a quem ele depositou sua fé com bravura e fidelidade.
Precisamos saber que sem demonstrarmos profunda repugnância e asco pelo que destrói nossa Santa Igreja, não somos verdadeiramente cristãos. Não há verdadeiro amor se não há repulsa pelo que imediatamente opõe-se ao que amamos. É impossível pensar em ser católico sem concebermos a possibilidade de darmos nossa vida por Nosso Senhor Jesus Cristo.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Beata Imelda Lambertini



Ela nasceu em Bolonha (Itália) no ano de 1322. Desde pequena sempre cultivou um imenso amor pela oração, pois crescera em um ambiente católico, onde seus pais davam a ela uma educação cristão de grande valor e de sólidas bases. O seu amor pela oração e pelas coisas de Deus era exatamente o seu diferencial e motivo de atenção especial pelos seus pais. Ela sempre se escondia nos locais "obscuros" de sua casa para rezar em silêncio, escondida do mundo, mas vista apenas por Deus.

O seu amor pela oração lhe criou na alma um desejo enorme de ser freira dominicana, isso com apenas 9 anos de idade! Claro que, assim como ocorreria nos dias de hoje, ela não foi aceita por causa da pouca idade. Mas Imelda possuía uma santa insistência que resultou numa conversa entre seus pais e a Madre Superiora do convento das irmãs dominicanas. 

Perguntaram então a ela o que a atraía no convento das irmãs dominicanas, Imelda respondeu: "Nosso Senhor". Nota-se que apesar dela ser apenas uma criança de 9 anos, devido a sua grande devoção pela oração, ela desenvolveu um extraordinário discernimento pelas coisas do Altíssimo.

A madre superiora das dominicanas pediu a devida permissão aos pais de Imelda para que ela pudesse se mudar para o convento. Sob conditio, Imelda não deveria realizar no convento as tarefas árduas e pesadas, mas pequenas tarefas por causa de sua pouca idade, o que a pequena Imelda à princípio não aceitava, pois queria seguir em tudo o que as outras irmãs faziam. A madre pedia para que ela não acordasse tão cedo para rezar na companhia das demais freiras, porém, a grande paixão de Imelda era rezar, portanto acordava cedo e rezava em silêncio pelos corredores do convento.

Apesar de todo seu amor pela ordem São Domingos e por Nosso Senhor Eucarístico, Imelda tinha apenas 9 anos e as normas da Santa Igreja permitia que apenas as crianças que possuíam mais de 12 anos poderiam comungar. Imelda passava horas e mais horas em adoração diante do Santíssimo Sacramento, havia vezes que de tanto rezar diante do Sacrário onde Nosso Senhor morava, sua singela face se transfigurava de alegria. O grande pedido de Imelda era que pudesse receber Nosso Senhor na Sagrada Comunhão, apesar de sua pouca idade.

Em 1333, Imelda completou seus 11 anos de idade. Como era costume: após a Missa e após todas as freiras saírem da capela, Imelda ficava um pouco mais de tempo diante do Santíssimo Sacramento em profunda oração, fazendo companhia a Nosso Senhor. Quantas horas santas a pequena Beata deve ter feito diante do Sacrário! 
Passou-se muito tempo sem que se tivesse "notícias" da pequena Imelda, então umas das freiras do convento voltou para a capela e lá encontrou Imelda em posição de oração, mas com algo extraordinário acontecendo: com a Hóstia flutuando diante da criança e emitindo uma luz que ia direto para Imelda. A freira logo chamou todas as outras irmãs e o padre que tinha celebrado a Missa anteriormente para que pudessem ver o extraordinário milagre que Deus ali fazia e que estava acontecendo diante dos olhos de todos.

O padre tomou o santo conhecimento de que aquele era o momento que Imelda deveria fazer a sua tão esperada Primeira Comunhão. O santo sacerdote aproximou-se com uma patena de ouro em suas mãos, fazendo com que a Hóstia tenha deitado sobre ela, e então entregou a primeira Eucaristia à pequena Imelda Lambertini.

Após ter recebido Nosso Senhor na Eucaristia pela primeira vez, o rosto de Imelda se transfigurou em uma alegria que irradiava a todos os presentes que assistiram àquele grande milagre. Tendo-se repousado para oração, lá permaneceu por muito tempo, como já era de costume. Mas o tempo foi passando, Imelda continuava em oração, recolhida, diante dos olhos de todos. Uma das freiras se aproximou para tocar Imelda e eis que esta cai no chão morta. Morta de alegria!

Lembramo-nos então das palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo "Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham."



Então com aquele extraordinário acontecimento a freira lembrou-se do que Imelda Lambertini sempre dizia quando estava na presença das irmãs: "Como é que as pessoas não morrem de alegria quando recebem Nosso Senhor na Eucaristia?".

E assim termina a história terrestre da pequena Imelda Lambertini, que tão nova, teve uma morte santa, merecimento de uma vida dedicada à oração e à adoração ao Santíssimo Sacramento. Tão pouco viveu, quanto se fez! Não deixou escrito algum, mas quantos livros poderiam preencher toda a sua devoção pelo Santíssimo Sacramento? Quantos livros poderiam preencher o seu testemunho e a sua morte?

Imelda Lambertini foi proclamada beata em 1826 sob o pontificado do Papa Leão XII, grande opositor das doutrinas heréticas e anti-católicas. Foi proclamada Patrona das Primeiras Comunhões em 1910 pelo Papa São Pio X (cuja uma lenda diz que o Santo Padre também queria desde criança comungar, mas que não podia por causa de sua pouca idade, então, quando já Papa, e no mesmo ano em que proclamou Imelda como Patrona das Primeiras Comunhões, permitiu que as crianças com menos de 12 anos pudesse comungar, sendo necessária a observância das exigências básicas para que seja concretizado tal feito).

O corpo da Beata Imelda Lambertini continua intacto após mais de 675 anos em sua cidade Bolonha, interior da Itália.






sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Elevação à Santíssima Trindade - Beata Elisabete da Trindade


Ó meu Deus, Trindade que eu adoro, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma para fixar-me em vós, imóvel e pacífica, como se minha alma já estivesse na eternidade. Que nada possa perturbar-me a paz nem me fazer sair de vós, ó meu Imutável, mas que em cada minuto eu me adentre mais na profundidade de vosso Mistério. Pacificai minha alma, fazei dela o vosso céu, vossa morada preferida e o lugar de vosso repouso. Que eu jamais vos deixe só, mas que aí esteja toda inteira, totalmente desperta em minha fé, toda em adoração, entregue inteiramente à vossa Ação criadora.

Ó meu Cristo amado, crucificado por amor; quisera ser uma esposa para Vosso Coração, quisera cobrir-vos de glória, amar-vos... até morrer de amor! Sinto, porém, minha impotência e peço-vos revestir-me de vós mesmo, identificar a minha alma com todos os movimentos da Vossa, submergir-me, invadir-me, substituir-vos a mim, para que minha vida seja uma verdadeira irradiação da Vossa. Vinde a mim como Adorador, como Reparador e como Salvador. Ó Verbo eterno, Palavra de meu Deus, quero passar minha vida a escutar-vos, quero ser de uma docilidade absoluta para tudo aprender de vós. Depois, através de todas as noites, de todos os vazios, de todas as impotências, quero ter sempre os olhos fixos em vós e ficar sob Vossa grande luz; ó meu Astro amado, fascinai-me a fim de que não me seja mais possível sair da vossa irradiação.

Ó Fogo devorador, Espírito de amor, "vinde a mim" para que se opere em minha alma como que uma encarnação do Verbo: que eu seja para ele uma humanidade de acréscimo na qual ele renove todo o seu Mistério. E vós, ó Pai, inclinai-vos sobre vossa pobre e pequena criatura, cobri-a com vossa sombra vendo nela só o Bem-Amado, no qual pusestes todas as vossas complacências.

Ó meu Três, meu Tudo, minha Beatitude, Solidão infinita, Imensidade onde me perco, entrego-me a vós qual uma presa. Sepultai-vos em mim para que eu me sepulte em vós, até que vá contemplar em vossa luz o abismo de vossas grandezas.





O mon Dieu, Trinité que j'adore
Aidez-moi à m'oublier entièrement 
pour m'établir en vous, immobile et paisible comme si déjà mon âme était dans l'éternité. 
Que rien ne puisse troubler ma paix,
ni me faire sortir de vous, ô mon immuable, 
mais que chaque minute m'emporte plus loin dans la profondeur de votre mystère. 
Pacifiez mon âme, faites-en votre ciel, votre demeure aimée et le lieu de votre repos. 
Que je ne vous y laisse jamais seul, mais que je sois là tout entière, tout éveillée en ma foi, tout adorante, toute livrée à votre action créatrice.

O mon Christ aimé, crucifié par amour, 
je voudrais être une épouse pour votre coeur,
je voudrais vous couvrir de gloire, je voudrais vous aimer. . .jusqu'à en mourir !
Mais je sens mon impuissance 
et je vous demande de me «revêtir de vous-même», 
d'identifier mon âme à tous les mouvements de votre âme, 
de me submerger, de m'envahir, de vous substituer à moi, 
afin que ma vie ne soit qu'un rayonnement de votre vie.
Venez en moi comme adorateur, comme réparateur et comme sauveur. 
ô Verbe éternel, Parole de mon Dieu, je veux passer ma vie à vous écouter,
je veux me faire tout enseignable afin d'apprendre tout de vous. 
Puis, à travers toutes les nuits, tous les vides, toutes les impuissances,
je veux vous fixer toujours et demeurer sous votre grande lumière;
ô mon astre aimé, fascinez-moi pour que je ne puisse plus sortir de votre rayonnement.

Ö feu consumant, Esprit d'amour, 
survenez, en moi, afin qu'il se fasse en mon âme comme une incarnation du Verbe :
que je lui sois une humanité de surcroît en laquelle il renouvelle tout son mystère.
Et vous, ô Père, penchez vous vers votre pauvre petite créature, 
«couvrez-la de votre ombre », ne voyez en elle que le « Bien-aimé en lequel vous avez mis toutes vos complaisances ».

Ö mes trois, mon Tout, ma Béatitude, 
Solitude infinie, immensité où je me perds,
je me livre à vous comme une proie. 
Ensevelissez-vous en moi pour que je m'ensevelisse en vous, 
en attendant d'aller contempler en votre lumière l'abîme de vos grandeurs.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Tarde te amei - Santo Agostinho


Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei!

Tu estavas dentro de mim e eu te buscava fora.

Como animal, lançava-me sobre as coisas belas que tu criaste.

Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo.

Mantinham-me atado, longe de ti, essas coisas que, se não fossem sustendadas por ti, deixariam de ser.

Chamaste-me, gritavas-me, rompestes a minha surdez.

Brilhaste e resplandeceste diante de mim, e explusaste de meus olhos a cegueira.

Exalaste o teu Espírito e aspirei o seu perfume, desejei-te.

Saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti. Tocaste-me e abrasei-me na tua paz.